9/02/2009

Desci alhures


Desci alhures
Desdenhando o além
Apressando o olhar
Desviando-me dos marasmos
Escondendo o tremor dos pensamentos.

Cheguei bem fundo do profundo
Onde as luzes não traduzem as imagens
E a escuridão tateia sensações.

Meu corpo fragmentou-se ao chocar-se com a névoa gelada
Que recobria as rochas que rondavam o espaço vazio
Como em busca de cheiros de vida

Tornei-me fagulhas no vácuo
Milhares de pedaços esvoaçantes
Destinados ao sem rumo das intenções

Um som de sino fez a atmosfera sensível
Vinha de longe
De mais adiante de alhures
Talvez de algum lugar

O que restava de mim passou a lampejar
Os pedaços tornaram-se vibrantes
Um odor de lírio foi unindo meus sonhos

Consegui arder como labareda
Limpei com vigor o mofo dos poros
Alcei-me ao infinito feito nuvem cósmica

Carregando em uma das mãos uma tocha de flores
Fui abrindo caminho pelo espaço
Alimentando o desejo de encontrar o lugar
Ouvir mais de perto a música do sino

E talvez mergulhar
De uma vez por todas
No som de minha alma