10/09/2009

Certezas


Relva
Dor
Grama
Busca
Incompreensão
Vivência
Audiência
Falência.

Voraz, o tiro rasga e arrebenta
Impertinente, o zumbido agita
O reflexo se impõe
A experiência é algo renegado
Safadeza satisfaz
Pureza corrompe.

Bucólico e irreal
O passado é um tempo perdido
O futuro já passou
Altivez é imposição
Posição e tentação
Cultural e/ou ideológica.

Viver poderia ser apenas viver
Mas seria contra a ordem natural
Dos animais humanos.

Por isso, é preciso organizar
Para tudo continuar como nunca.

E o sonho,
De mãos sem armas
Políticas destroçadas
Poder humilhado
Vitória derrotada
Glória refutada
Ambição reduzida a cinzas,
Não passar de um mera quimera.

Assim deve ser
Para legitimar os fatos
Absolutos e reais.

Como a imprevisão do amanhã
A convicção do fim
A força imperando
A sensatez pisoteada.

Ao ponto dessas gentes serem arrastadas
No turbilhão de uma história repleta de certezas
Nunca bem explicadas.

10/06/2009

A noite do esperto




Nessas noites mal dormidas
De pesadelos turbulentos
Sirenes esganiçadas
Tiros sibilitantes
Latarias entrelaçadas
Choques frontais
Torturas escamoteadas
Socos pesados
Cassetetes sanguinolentos
Turmas tiranas
Abusos fardados
Maridos alcoolizados
Executivos penetrados
Meninas e meninos rasgados
Sons mecânicos
Drogas injetadas
Adrenalina acelerada
Corpos em pedaços
Facas impetuosas
Dignidades esfaceladas
Risos deprimidos
Solidões afogadas

Ainda brilham estrelas
A lua passeia descompromissada
As flores silvestres guardam seu perfume
Para o amanhecer
Povoado de pássaros
De árvores
De cores
De vento tranqüilo
De lagos sonolentos
De montanhas preguiçosas

Que compõem a harmonia
Natural
Cujo único lamento
É a perda do filho dileto
Preocupado
Em ser o mais esperto.

10/01/2009

Com um sorriso nos lábios


Com um sorriso nos lábios


Vou fazer o que der na telha
Liberar aquela centelha
Que me faz sentir diferente
Alguém especial em meio a toda essa gente.

Quero sentir por inteiro o meu egoísmo
Fazer vibrar por todos os poros o meu narcisismo
Deliciar-me com minha maldade
E nunca mais ter qualquer gesto de humildade.

Vou quebrar as amarras das culpas
Anular qualquer chance de pedir desculpas
Incendiar os complexos e a timidez
Não ter vergonha de agir com hipocrisia e desfaçatez.

Desejo tratar o mundo com o devido desdém
Ter orgulho de estar um pouco além
Não alimentar tristezas pela miséria humana
Tirar proveito da fraternidade profana.

Nada de reprimir impulsos e ambições
Nada de condicionamentos e tensões
Nada além do meu interesse e do meu prazer
Nada além da minha glória e do meu bem viver

Nunca suportei os medíocres
Nunca tolerei os falsos
Nunca concordei com os mentirosos
Nunca me conformei com os poderosos

Pois agora, aviso-os, preparem-se!
Estendam um tapete vermelho
Limpem o pó do trono
Estou chegando para assumir
O meu lugar de sempre
Com ódio
Rancor
E um sorriso nos lábios.