1/24/2010

Ante passados


Recortei as imagens que povoavam o meu supercílio
Arrumei um lugar para as memórias esquecidas embaixo da língua
Suprimi de vez os arquivos de áudio dos tímpanos profanos
Suturei as feridas dos sofrimentos inexplicáveis
E tratei de repousar sob a lama que sempre me circundou

Já não havia tempo para apressar a chegada
Pois as horas caminhavam solertes a esmo
E os segundos se arrastavam perdidos em meio à névoa imprevista
Causando sensações impróprias a quem desejava apenas descansar

Mesmo que fosse voando sob montanhas enegrecidas
Flanando sob cristais derretidos
Olhando do alto a terrível alucinação humana
Castigada desde sempre na plenitude da auto-imolação...

Distante do não-lugar
Muito próximo de raízes quase esquecidas
Buscando uma identidade já perdida
Os pesadelos perturbam a memória que teima em ser recuperada

O frio da alma deixa a neve roçar a imaginação
Há um horizonte à frente também vislumbrado por quem já partiu
A terra é a mesma por onde os consangüíneos caminharam

Uma boa sensação alfineta as emoções
Como aquela de ter descoberto
Algo insondável
Mas perceptível
Como uma filigrana
Como uma centelha
Como um tênue ruído de um pequeno riacho
Que diz ser preciso seguir
Continuar
Sempre