2/12/2010

Linha do horizonte


Caminhando rente ao parapeito das minhas fragilidades
Com os bolsos cheios de segredos
Tento não olhar para o vácuo
Por receio de ver o eco da minha própria imagem

Apesar de acossado pelo irresistível desejo de voltar
Talvez seguir outra rota
Quem sabe um novo começo
Não posso recuar e tampouco olhar para trás

Só me resta tentar não perder o equilíbrio
Não pisar em falso
Não vacilar no estreito limite da vida que me resta
Para não desabar no abismo do meu íntimo

Afinal, o desconhecido sempre provoca arrepios
Posso deparar-me com memórias amortecidas
Verdades emboloradas
Razões inexplicáveis

Assim, tento manter-me ereto
Sem pender para um lado ou outro
Seguindo em frente
Passo a passo
Até ultrapassar a linha do horizonte