As tristezas foram se esvaindo
Perdendo-se em meio aos caminhos
E poucas delas restaram
Com intensidade suficiente
Para abalar a minha sensibilidade
Cutucar minhas emoções
Desnortear os meus pensamentos.
Os gritos de lamentos adormeceram
A dor agora apenas arranha o peito
Já não dilacera o coração
Assim como as lágrimas já não brotam
Marejando a alma
Que se ofuscava em meio a perplexidades
Diante das constatações impactantes.
Minha voz ficou rara
O silêncio abarcou o meu íntimo
Mesmo quando mergulho no turbilhão
De ruídos e sons que preenchem o cotidiano
Com um sentido qualquer,
Mas imperioso,
À preservação do senso comum da existência.
Tudo agora se constitui em um nada
De falsas esperanças
De expectativas utópicas
De crenças em valores
De verdades nunca confirmadas
De mentiras reiteradas
De uma vida instrumentalizada.
Mas está bem assim
Sinto ser muito melhor assim
Ainda mais quando afundo as mãos na terra
Quando ouço o trinar de um pássaro
Quando percebo o besouro desajeitado
Quando vejo a aranha seguir em frente
Quando abraço as árvores que farfalham
Quando aspiro a tentação das flores
Quando o sol...
Quando a noite...
Quando a chuva...
Quando a solidão
Revela o esplendor da paz...